Galeria Mayamba presents “LABUTA” by KaSoma

Exposição Fotográfica LABUTA Curar uma exposição é fazer um convite a percorrer caminhos cujo trajecto carrega algo de familiar e estranho. Com "Labuta", o desafio foi ainda mais exigente porque fala, por imagens, de algo particular da história de cada um.

Exposição Fotográfica LABUTA Curar uma exposição é fazer um convite a percorrer caminhos cujo trajecto carrega algo de familiar e estranho. Com “Labuta”, o desafio foi ainda mais exigente porque fala, por imagens, de algo particular da história de cada um. Uma viagem por imagens que recriam perguntas de uma fração do mundo. O outro desafio reside na dimensão estética da proposta de KaSoma, um artista com um rico e denso acervo expográfico, consequência da sua atenção capaz de transformar o ordinário do mundo em arte. Esta mostra não é apenas uma colecção de fotografias apreciáveis ao olhar; é um mergulho profundo no labirinto do cotidiano onde caminham milhares de nós. Ao sol, à chuva ou sob o peso do cansaço, labutar é o acto de persistir, mesmo quando a vontade e o conforto sugerem o contrário. É uma caminhada sem contorno definido; uma luta diária que começa antes da alvorada e que, em muitos casos, só termina após o dormitar do sol. Um poente que não acontece igualmente a todos, principalmente às mulheres cujo trabalho da rua se extende ao silêncio dos cômodos da casa. Necessidade e escolha são o fio da navalha deste verbo que guarda, em si, as condições e a esperança do sustento do corpo e o descanso da alma.

Ao percorrer estas veredas de luz e sombra, tons e cores, KaSoma não nos entrega respostas. Oferece-nos, sim, uma chance de apreciar o belo dentro do caos aglomerado, das ideias fixas, convidando-nos a novas interpretações e perspectivas e, como consequencia, à construção de uma leitura própria sobre este facto social comum. Há algo de extraordinário no cotidiano. Um valor que passa despercebido e exige ser resgatado.

Labuta é o resultado de dois anos de pesquisa e imersão por províncias como o Cuanza-Norte, Icolo e Bengo e Luanda, estas 24 fotografias traçam um mapa humano do trabalho informal, mas um dos principais dinamizadores da economia nacional. Cada uma das obras aqui apresentadas fala por si, tecendo narrativas de resistências paralelas: a caminhada, ora lenta, ora apressada; a polimorfia do “corpo-monumento”, usado como expositor e veículo; a jornada do “futuro do nosso futuro” nas correntes da vida; a carroça que hoje serve os produtores e amanhã os produtos. Nada aqui estagna. Do pão de cada dia equilibrado à cabeça ao “lotador” que corre a “duzentos” por “cem”, tudo pulsa, tudo fala, tudo a/mostra e algo falha. Nesta selva de realidades, cada fotografia é um espelho de múltiplos contextos, uma caleidoscópio de sonhos, as vezes esquecidos, mas encarnado nos pés, tudo sob um mesmo quadro. A exposição provoca uma análise imersiva, convidando o público a reflectir sobre a dignidade do esforço e a força que estrutura o nosso quotidiano: a persistência, o barulho do sustento, as batalhas dos dias, a espera e à Labuta.

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